2012-01-24-Copia-de-bruxelas_bandeiras_euro_epa.jpg-1Num contexto de baixa dos preços do petróleo, de uma política monetária flexível e de um valor externo do euro relativamente fraco, este ano a retoma económica foi resiliente e generalizada nos Estados Membros, embora tenha sido lenta.

Está a dissipar-se o impacto dos fatores positivos, ao mesmo tempo que estão a surgir novas dificuldades, como por exemplo o abrandamento das economias de mercado emergentes e do comércio mundial, bem como a persistência das tensões geopolíticas. O ritmo de crescimento deverá resistir aos desafios em 2016 e 2017, graças ao apoio de outros fatores, tais como melhores resultados em matéria de emprego com consequências positivas sobre o rendimento real disponível, condições de crédito facilitadas, progressos em matéria de desendividamento financeiro e aumento dos investimentos. Nalguns países, o impacto positivo das reformas estruturais contribuirá também para continuar a apoiar o crescimento.

Em geral, prevê-se que o PIB real da área do euro registe um aumento de 1,6 % em 2015, atingindo 1,8 % em 2016 e 1,9 % em 2017. Na UE no seu conjunto, o PIB real deverá passar de 1,9 % este ano para 2,0 % em 2016 e para 2,1 % em 2017.

Valdis Dombrovskis, Vice-Presidente responsável pelo Euro e o Diálogo Social, declarou: «As previsões económicas hoje apresentadas mostram que a economia da área do euro prossegue a sua retoma moderada. O crescimento é apoiado, em grande medida, por fatores temporários, tais como os baixos preços do petróleo, a descida da taxa de câmbio do euro e a política monetária flexível do BCE. A área do euro demonstrou capacidade de resistência às evoluções externas, como o abrandamento do comércio mundial, o que é encorajador. O apoio e o reforço da retoma exigem que se tire partido destes «ventos favoráveis» temporários para prosseguir uma política responsável em matéria de finanças públicas, estimular o investimento e realizar reformas estruturais destinadas a reforçar a competitividade. Este aspeto é particularmente importante num contexto de abrandamento da economia mundial, de tensões persistentes na nossa vizinhança e da necessidade de gerir a crise dos refugiados com determinação e coletivamente.»

Pierre Moscovici, Comissário responsável pelos Assuntos Económicos e Financeiros, Fiscalidade e União Aduaneira, afirmou:«A economia europeia continua em fase de retoma. Na perspetiva de 2016, vemos o crescimento aumentar, enquanto o desemprego e os défices orçamentais diminuem. No entanto, as melhorias ainda são repartidas de forma desigual: na área do euro em especial, a convergência não é suficientemente rápida. Subsistem grandes desafios: investimento insuficiente, estruturas económicas que entravam o emprego e o crescimento, e a persistência de níveis elevados de endividamento privado e público. Estes desafios exigem respostas políticas corajosas e determinadas em 2016, especialmente num contexto global de incerteza.»

A recuperação é generalizada nos Estados-Membros
Este ano a procura interna está a aumentar na maioria dos Estados-Membros da área do euro e em 2016 e 2017 a atividade económica deverá crescer na UE. O consumo privado está a aumentar em consequência da subida dos rendimentos nominais e da baixa taxa de inflação. O investimento também deverá crescer ligeiramente, graças ao aumento dos rendimentos disponíveis das famílias, à melhoria das margens de lucro das empresas, a condições de financiamento favoráveis e a melhores perspetivas da procura.

As reformas realizadas permitem obter melhores resultados no mercado de trabalho
O mercado de trabalho continua a melhorar a um ritmo lento e desigual entre os Estados-Membros. No entanto, os países mais afetados que aplicaram reformas no mercado de trabalho deverão registar melhorias adicionais em termos de crescimento do emprego. Na área do euro, prevê-se que o emprego aumente 0,9 % este ano e no próximo e 1 % em 2017. Na UE, o emprego deverá crescer 1,0 % este ano e 0,9 % em 2016 e 2017. Globalmente, prevê-se que o desemprego continue a diminuir apenas gradualmente, com disparidades substanciais entre os Estados-Membros. Na área do euro, prevê-se que, face aos 11,0 % registados este ano, a taxa de desemprego desça para 10,6 % no próximo ano e para 10,3 % em 2017, enquanto na UE no seu conjunto se prevê uma diminuição de 9,5 % este ano para 9,2 % e 8,9 % em 2016 e 2017, respetivamente.

As perspetivas orçamentais continuam a melhorar
Prevê-se que em 2015 o rácio agregado défice/PIB da área do euro desça para 2,0 %, graças aos esforços de consolidação orçamental envidados no passado, ao reforço cíclico da atividade económica e, em menor medida, à diminuição das despesas com os juros. Até 2017, o rácio défice/PIB da área do euro deverá baixar para 1,5 %. A orientação orçamental da área do euro deverá manter-se globalmente neutra. Em 2017, prevê-se que o rácio dívida/PIB da área do euro diminua do pico de 94,5 % registado em 2014 para 91,3 %. O rácio défice/PIB para a UE no seu conjunto deverá diminuir para 1,6 % em 2017 dos 2,5 % previstos para este ano, e o seu rácio dívida/PIB deverá descer para 85,8 % em 2017 dos 87,8 % previstos para este ano.

A descida dos preços do petróleo provoca uma baixa temporária da inflação
Em setembro, a queda acentuada dos preços do petróleo e de outras matérias-primas fez descer a inflação global na área do euro e na UE para valores negativos. No entanto, este dado oculta o facto de o aumento dos salários, o reforço do consumo privado e a diminuição do hiato do produto estarem a começar a exercer uma pressão crescente sobre os preços. Prevê-se que a taxa de inflação anual aumente de 0,1 % na área do euro e de 0 % na UE este ano para 1,0 % e 1,1 %, respetivamente, no próximo ano, e para 1,6 % em ambas as zonas em 2017.

A desaceleração da economia mundial prejudica a procura das exportações da UE
As perspetivas para o crescimento global e o comércio mundial deterioraram-se consideravelmente desde a primavera, na sequência da desaceleração das economias de mercado emergentes, nomeadamente a China. As economias de mercado emergentes deverão atingir o seu ponto mais baixo este ano e recomeçar a recuperar em 2016.
Até à data, as exportações da área do euro foram bastante poupadas à deterioração observada no comércio mundial, sobretudo graças à anterior depreciação do euro. Não obstante, o crescimento das exportações deverá abrandar em 2016 e aumentar ligeiramente em 2017.

O excedente da balança de transações correntes aumenta
Prevê-se que o excedente da balança de transações correntes da área do euro aumente este ano devido à redução do défice comercial ligado ao petróleo e à melhoria das condições comerciais, mas também à manutenção de excedentes elevados nalguns Estados-Membros e à correção de défices passados noutros. O excedente da balança de transações correntes deverá diminuir ligeiramente em 2017, à medida que os preços do petróleo forem recuperando e se deteriorarem as condições comerciais.

A chegada de requerentes de asilo poderá ter um ligeiro impacto económico positivo
As presentes previsões oferecem uma primeira avaliação do impacto económico da chegada de um grande número de requerentes de asilo à UE. Enquanto, a curto prazo, o aumento da despesa pública faz aumentar o PIB, a médio prazo espera-se que o aumento da oferta de mão de obra tenha um efeito positivo adicional sobre o crescimento, desde que sejam aplicadas as políticas adequadas para facilitar o acesso ao mercado de trabalho. Na UE no seu conjunto, o impacto sobre o crescimento é reduzido, mas poderá ser mais apreciável nalguns Estados-Membros.

Os riscos que pesam sobre as previsões são principalmente externos e na sua maioria negativos
Os riscos relacionados com as perspetivas económicas mundiais aumentaram. A diminuição do crescimento nos mercados emergentes, em especial um ajustamento mais perturbador na China, e os efeitos da normalização projetada da política monetária dos EUA nos mercados emergentes poderão ter um impacto mais negativo do que o atualmente previsto sobre o investimento e a atividade económica na Europa.

Para mais Informações:
http://ec.europa.eu/economy_finance/publications/eeip/pdf/ip011_en.pdf